Sou um sonhador. Visto-me com o manto da arte e vejo o mundo implodir em mim. Gosto do caos, da efervescência, do borbulhar do acto da criação sob uma perspectiva alternativa, desviante, invulgar, não consensual. Gosto de me apossar do mundo; por vezes o mundo real é demasiado fleumático, redutor. E em mim não há espaço para visões redutoras, mas sim um subconsciente obscuro e vasto, um corpo que anseia o movimento carnal, uma mente sedenta de fantasias. Mas o que é um sonhador? A meu ver é (não quero aqui avançar com uma definição redutora, sonhador é aquilo que cada um quer ser) um ser movido pela criação. Irrequieto, inquieto, assaltado pelo desassossego, aquele que é aliado da imaginação. Recuso-me a ter uma mente estéril, oca. Permanecerei ávido e curioso como quem se masturba pela primeira vez e contempla a sua ejaculação feroz simultaneamente estupefacto e maravilhado. O jorro da vida, a sua criação.