Sou um sonhador. Visto-me com o manto da arte e vejo o mundo implodir em mim. Gosto do caos, da efervescência, do borbulhar do acto da criação sob uma perspectiva alternativa, desviante, invulgar, não consensual. Gosto de me apossar do mundo; por vezes o mundo real é demasiado fleumático, redutor. E em mim não há espaço para visões redutoras, mas sim um subconsciente obscuro e vasto, um corpo que anseia o movimento carnal, uma mente sedenta de fantasias. Mas o que é um sonhador? A meu ver é (não quero aqui avançar com uma definição redutora, sonhador é aquilo que cada um quer ser) um ser movido pela criação. Irrequieto, inquieto, assaltado pelo desassossego, aquele que é aliado da imaginação. Recuso-me a ter uma mente estéril, oca. Permanecerei ávido e curioso como quem se masturba pela primeira vez e contempla a sua ejaculação feroz simultaneamente estupefacto e maravilhado. O jorro da vida, a sua criação.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
domingo, 21 de julho de 2013
Todos os gestos que há em ti
Há noites em que acordo subitamente, angustiado com a ideia de não estares ao meu lado. Sinto-me frágil, exposto, caíndo numa escuridão sem cheiro. Limpo o suor ácido da minha face. Debruço-me sobre ti e, a minha mão, num gesto cândido, encontra o teu corpo quente adormecido. Abraço-te mas não sentes, estás a dormir. Dou-te um beijo cálido no pescoço. Tenho a certeza de te amar e sei que também me amas, mesmo no silêncio dos teus sonhos. Dormes porque sabes que estou ali e porque existe paz na nossa maneira de sentir. Quando abrires os olhos serei a tua primeira luz. Nesse instante os nossos gestos cruzar-se-ão em jeito de cumplicidade. Finalmente encontrámo-nos após vários desencontros. Costumava duvidar do amor e hoje talvez ainda não o saiba definir, mas conheço todos os gestos que há em ti.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Inquietude
Acossa-me a inquietude muitas vezes. Há em mim um desassossego constante, uma auto-imunidade. Dizem-me que sou uma pessoa muito calma, mas serei mesmo? Fernando Pessoa escreveu que o poeta finge "tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente". Em meu entender, sou um paradoxo, uma contradição lógica. A minha existência só tem fundamento no conflito interior e nos mais densos recantos da minha mente, onde me perco invariavelmente em busca não de um sentido para a vida, mas de um sentido para a minha identidade. Ninguém parece conhecer-me, ninguém sabe da minha ambiguidade. Ninguém sabe que por vezes a dor de sentir é tão grande que a sinto mesmo. A ansiedade de tentar ser algo que ainda não sou consome-me. À noite não consigo dormir. O teu abraço apazigua-me, o teu beijo emudece-me, mas o meu tormento não finda. Hoje estou aqui porque não quero estar em nenhum outro lugar. O amor trouxe-me aqui. A escuridão trouxe-me aqui. Escreveste-me, e eu estou de volta.
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