quinta-feira, 11 de julho de 2013

Inquietude

Acossa-me a inquietude muitas vezes. Há em mim um desassossego constante, uma auto-imunidade. Dizem-me que sou uma pessoa muito calma, mas serei mesmo? Fernando Pessoa escreveu que o poeta finge "tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente". Em meu entender, sou um paradoxo, uma contradição lógica. A minha existência só tem fundamento no conflito interior e nos mais densos recantos da minha mente, onde me perco invariavelmente em busca não de um sentido para a vida, mas de um sentido para a minha identidade. Ninguém parece conhecer-me, ninguém sabe da minha ambiguidade. Ninguém sabe que por vezes a dor de sentir é tão grande que a sinto mesmo. A ansiedade de tentar ser algo que ainda não sou consome-me. À noite não consigo dormir. O teu abraço apazigua-me, o teu beijo emudece-me, mas o meu tormento não finda. Hoje estou aqui porque não quero estar em nenhum outro lugar. O amor trouxe-me aqui. A escuridão trouxe-me aqui. Escreveste-me, e eu estou de volta.

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